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Quarta-feira, Novembro 08, 2006
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Pórópópó pó pó pó pó... (ou: sooou corintiana eu sooooou....)
Tudo bem que é de conhecimento de todos que meu time não anda muito bem das pernas faz tempo. Durante praticamente todo o campeonato esteve com um pé lá e outro cá, saindo e entrando no infeliz grupo dos 4 times que descerão para a segunda divisão do campeonato brasileiro. Mas ¿eu sou Corinthians de coração...¿ mesmo sabendo que meu time não vai ser o campeão, não este ano. E mesmo sabendo que o campeonato está perdido, que não temos mais chances de uma vaga na Libertadores e mesmo acreditando que, enfim, não vamos ser rebaixados (eu sei que ainda temos 5 jogos, mas não, não vamos ser rebaixados) e temos chances na sul-americana, acho que, exatamente por isso, me programava para ir ao Pacaembu ver Corinthians x Santa Cruz.
Tudo bem, tinha esquecido o dia do jogo, mas sabia que ia. Procurando algo o que fazer, falei com o Alvinho que disse que iria ao estádio. Putz, eu vou. Falei com o João, meu primo. ¿ Não posso ir, estou com Pedro hoje. Nem liguei para o meu irmão, sei que não tem carteira de estudante, e quando me informei só tinha ingresso para a numerada, 40 pilas. O Silvio ta chato pra caralho e diz que só vai ver o Corinthians quando o time tomar vergonha na cara...são os muitos tipos de torcedores, fazer o quê?
Liguei para a corintianíssima Ju, amiga da pós graduação, mas ela estava chegando em um chá de bebê, não poderia ir, ficou puta.
O domingo estava lindo, ensolarado como há muito não fazia em São Paulo. Bom, vou sozinha. Há mais ou menos 10 anos não vou a um estádio, nunca fui ver um jogo sozinha, mas como sempre me virei bem e não gosto de deixar de fazer nada por dependência, troquei de roupa e fui embora, solo.
O marido não ficou nada feliz, mas entendeu. Me conhece, me conheceu assim e sabe que eu iria de qualquer jeito, ficou vendo na tv o seu time jogar e chegar cada vez mais perto do título o que ele esfrega na minha cara o tempo todo e eu, segui rumo à casa do Timão, na Praça Charles Miller, o Paulo Machado de Carvalho, mais conhecido como Pacaembu.
Chegando no metrô o telefone toca: - Me espera aí que também vou. Fomos: eu, namorado e cunhado (são paulinos) e um amigo também corintiano.
Na Av. Paulista já dava pra ter uma idéia do que iríamos encontrar no estádio: ônibus lotados de torcedores, com seus gritos e bandeiras. Cada vez mais perto, mais camisas do Timão, de todas as épocas e patrocinadores possíveis.
Confesso que fiquei preocupada com a presença de dois ¿pós de arroz¿ comigo, então pedi o máximo de cuidado aos meninos com o que falar e como se comportar, afinal tolerância passa longe dessas arenas.
Do lado de fora cambistas vendem o ingresso que custou 3 pacotes de biscoito, ou como diriam todos os paulistanos presentes, ¿bolacha¿. Não havia mais ingressos na bilheteria para a promoção da Nestlé, mas os cambistas estavam fazendo um bom preço, bem mais em conta que as numeradas, e quer saber, a geral é mesmo mais divertida.
Esse era o tipo de jogo bom para ir ao estádio, jogo de uma torcida só, time adversário lanterna do campeonato, time vindo de uma goleada de 4x0 no Fortaleza. Por essas estava a caminho, mesmo que sozinha.
-Vamos ficar de que lado? O amarelo ou o verde?
Lado direito: verde. ¿ Nããããããoooooo....verde não é uma cor apropriada para corintianos mais supersticiosos, além de que é no amarelo que a Gaviões fica a torcer sem parar.
Nos posicionamos no alto esquerdo entre o gol e o tiro de canto. A torcida canta e bate palma sem parar. Entra o Santa e é vaiado. Entra o coringão, explode o brasão no telão junto com o nome do time, o hino toca e 30 mil pessoas cantam juntas: Salve o Corinthians...!!!, é lindo de ver.
Logo sobe o cheiro de Jah, sedas e isqueiros circulam pra lá e pra cá, a fumaça sobe e é possível sentir o que pela televisão não dá: arquibancada de estádio de futebol cheira a erva.
Primeiro tempo só dá coringão, cada ataque, cada chute a gol a torcida explode, canta, pula, faz ola, bate palma junto. 18 minutos do primeiro tempo, Roger invade a área e é derrubado, é pênalti, Marcelo Mattos toma distância e marca: ¿Corinthianssssss, Corinthians minha viiiiidaaaaaa, Corinthians minha históóóóóriaaaa, Corinthians meu amooooooorrrrrrrrrr!!!!!¿. O Pacaembu treme, a bandeira sobe, o rapaz com a namorada na frente se vira, olha para mim e para o Thiago com a maior alegria do mundo ergue as duas mãos, uma para mim e outra para o meu namorado são paulino, que sem ter como negar, o cumprimenta pelo gol do meu time. Nosso amigo corintiano, Isaac, grita, pula, bate palma, está realmente feliz com nosso convite.
Pra não perder o costume o Corinthians relaxa depois do gol e é pressionado, mas a fiel não se cala. Uma faixa de protesto contra a diretoria é aberta de um lado do estádio mostrando as diferentes posições entre as torcidas organizadas, alguns vaiam, outros dizem que não é o momento, outros apóiam, mas a polícia não quer saber, toma a faixa e acaba com o protesto.
No segundo tempo, muitos sustos. Esse meu time viu...só com sofrimento mesmo.
Nos últimos minutos gritos de alegria com a virada do Paraná contra o Palmeiras: ão ão ão, segunda divisão!
Tranqüilidade. Saímos tranqüilos, aquele cheiro de churrasquinho de porta de estádio deu fome. Fui para casa contente porque eu disse que ia, não disse?
pirofágica - 3:07 PM
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