ASSIM ASSADO - meu universo é infinito, não tentem me compreender.

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Por TPoeta
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Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006

Um ano depois...

leia, leia e leia!

pirofágica - 4:13 PM


Temos duas novas, uma boa e outra ruim. Qual vocês querem primeiro?

Então ta, a ruim é que não estarei mais por aí no próximo mês, tive que adiar as minhas férias.
E a boa? Tive que adiar as férias por uma boa causa: fui promovida.

Ta, vocês sabem que essa palavra soava muito estranho para minha pessoa até um ano atrás, mas de lá pra cá tive que ficar mais íntima dela.
Não, não faço o que eu quero, mas um dia eu chego lá. Porém, cheguei a um lugar onde aqui, nesta empresa, eu gostaria de chegar.
Depois de passar pelo famoso Call Center, BKO, Treinamento, eis que, depois de um longo e concorrido processo seletivo, cá estou na Divulgação (uma das áreas de Comunicação da empresa). Sim, estou contente de verdade.

Mas como minha gerente é suuuper gente boa, não quis adiar tanto minhas esperadas férias, então em Maio chego por aí.
Estou sentindo muito por perder o FMI, muito mesmo, seria uma grande oportunidade de ver muito som bom junto e, principalmente, muita gente querida junta, mas como eu já disse é por uma boa causa. Não estava feliz no setor que estava. Me desgastava muito, trabalhava 10 horas por dia, longe pra caralho de casa, com um bando de mulheres neuróticas (não preciso dizer muito). Agora estou no horário comercial, perto da Paulista (da pra sair daqui e pegar um cineminha, uma programação de grátis em algum lugar) e quando chego em casa da tempo de fazer uma janta e curtir meu amor.

Por enquanto é isso...só pra dar um ¿oi¿ mesmo e contar as novidades.
No mais, ta tudo caminhando bem. O Thiago foi pro show dos Stones no Rio e ta fazendo um texto que eu vou publicar por aqui junto com um texto meu também (sobre como assisti o show ¿com¿ os Stones no colchão do meu quarto!).

Inté!

pirofágica - 3:56 PM

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006

Mudando de assunto...

Eu sei que é um pouco tarde pra falar disso, mas depois de assistir 24 Hours Party People (A Festa Nunca Termina) ontem, fiquei com vontade de falar de alguns filmes que vi de uns meses pra cá.
Bom, pra quem conhece os filmes, deixem pra lá, pra quem nunca viu...bom, também nada de mais, só coisa de quem não tem muito o que fazer e vai matar a hora do trampo divagando sobre música e cinema.

Tinha visto um trecho de Quase Famosos há quase um ano, o que me deixou com muita água na boca. Um dia cheguei mais cedo do trampo e decidi fazer uma ficha em uma locadora pequenininha perto de casa (já estava em Diadema, na casa da Edna). Em aproximadamente 5 prateleiras, nada que me desse vontade de ir entregar no dia seguinte, quando vi ali, isolado o Quase Famosos.
De 2000 (eu disse que estava atrasada), Quase Famosos não é um filme sobre música, mas quem gosta de música ¿ leia-se rock n¿ roll setentista, vai se deliciar.
Não tem como não se colocar na pele do moleque William Miller, que depois de herdar os discos da irmã quando criança (a irmã sai de casa brigada com a mãe que por sinal odeia rock n roll e é magistralmente interpretada por Frances McDormand) e descobre que é mais novo do que imaginava (ahhh, se você assistir vai saber) se descobre apaixonado por música e decide escrever sobre música.



Willian, então com 15 aninhos, conhece e recebe ¿conselhos¿ de nada mais nada mesmo que o lendário Lester Bangs (deixa eu ler o livro e vai ter um post sobre o cara), que na época editava a revista Cream. E Bangs lhe disse: quando for escrever sobre uma banda, seja honesto e impiedoso. LB alertava o guri para os perigos de se tornar ¿amigo¿ dos caras das bandas, que elas ¿irão te usar, irão te apresentar garotas, irão te dar drogas, tudo para que você fale bem delas¿.
Até que um dia, o editor da maior revista de música de todos os tempos, a Rolling Stone, liga para o tal de William Miller (que disfarça seus 15 anos ao telefone com uma voz de homem) e pede uma matéria sobre uma banda nova. A banda fictícia é chamada de Stillwater, porém muitas das histórias vividas pela banda no filme aconteceram como a tragicômica cena do avião (The Who) e do guitarrista pirado de ácido em uma festa (Robert Plant ¿ Led Zeppelin).
E mesmo sabendo onde estava se metendo (lembra do que Lester Bangs disse?) o guri mergulhou de cabeça na tríade mais conhecida ¿ para o bem e para o mal ¿ de toooooddddoooo o universo: sexo, drogas & rock n¿ roll.
Um filme bem humorado e sim, bonito. Porque existe um amor platônico como pano de fundo de William Miller pela groupie Penny Lane, esta, apaixonada pelo guitarrista do Stillwater, pela ingenuidade de um garoto de 15 anos no meio das loucuras de 1973 e por saber que apesar de tanta crocodilagem pode sim, existir amizade.
Trilha sonora perfeita.

Falei demais, não era minha intenção, mesmo porque, do mesmo ano (2000) vem o fantástico Alta Fidelidade, com o não menos fantástico John Cusack. Dos 3 (sim, ainda tem mais) é o menos, hummm, digamos ¿sobre música¿, mas tão musical quanto.
Baseado no livro homônimo tem na paixão pela música pelo protagonista Rob Gordon (no livro Rob Fleming), pano de fundo pra nos revelar muito do universo masculino quando se fala de relacionamentos, as vontades, as dúvidas, as canalhices, traições, o sexo, as paixões.... . Neste caso de um dono de uma loja de discos de vinil, em plena era do CD. Na loja existem dois funcionários, o truculento metaleiro, ranzinza, irônico e engraçadíssimo, Barry (interpretado pelo grande Jack Black ¿ outro louco pela música que o diabo é pai) e pelo tímido e sensível Dick, fã de Belle & Sebastian.



Os três tem a mania de listar os ¿Top 5¿ de tudo o que diz respeito a música e Rob, desiludido com o fim de seu último relacionamento, leva a mania dos ¿Top 5¿ para sua vida pessoal.
Hilário é Barry e sua banda, Macaco Acústico Metal, tocando Let¿s Get It On, de Marvin Gaye.
John Cusack assume perfeitamente a crise existencial que pode acometer qualquer ser humano comum, principalmente aquele que teme assumir determinados compromissos, e faz isso brilhantemente. Uma grande sacada do filme: Rob Gordon fala tudo isso olhando para nossos olhos.
Trilha sonora deliciosa.

Também olhando para nossos olhos, Tony Wilson conta, através de seu ponto de vista, a efervescente cena de Manchester dos anos 1970 até meados dos anos 1990. 24 Hours Party People (A Festa Nunca Termina) é um puta filme sobre........música, feito em 2002.
Quando digo que Tony Wilson conta a história de ¿seu ponto de vista¿ é pra reforçar o caráter autobiográfico da história. Sim, é História, não tem como negar, mas da pra desconfiar: será que foi isso mesmo. Bom, isso não vem ao caso, mesmo porque eu sou a pessoa menos apropriada para falar da música dos idos (e vindos) anos 1980.
Nunca fui fã, mesmo. Mas ver um jornalista com a maior cara de babaca, frustrado fazendo matérias idiotas para a TV Granada, ir a uma espécie de teatro com uma platéia de 42 pessoas, em 1976, e ficar extasiado com a apresentação dos, então, desconhecidos Sex Pistols, já me chamou bastante a atenção.
Tony Wilson faz questão de falar que o filme não é sobre ele, porém, nosso cicerone na Manchester do final dos anos 1970, passando pelos obscuros 1980 e o colorido início dos 1990, têm sua história contada simplesmente porque teve, de certa forma, papel fundamental no que mais contou na música dessas décadas. O filme conta a ascensão e queda da Factory Records e da Hacienda.
Então vamos lá: Depois do choque (no bom sentido) que o rapaz levou ao ver os Pistols, resolveu, junto com amigos, abrir um selo para lançar a rapaziada que andava fazendo barulho por aquelas bandas. No mesmo lendário show do SP, estavam presentes Ian Curtis e cia. E a Factory lançou o Joy Division. A pesar de meio malaco, Tony Wilson era um verdadeiro libertário em alguns sentidos. Na Factory, por exemplo, os artistas ¿contratados¿ eram livres para fazer o que quisessem, na verdade o ¿contrato¿ era feito com o próprio sangue de Tony, deixando os livres para seguir seu próprio caminho.
O divisor de águas do filme, que tem uma fotografia toda em digital, com um caráter documental bastante forte, é o suicídio do epilético e enigmático Ian Curtis (aliás uma das mais belas cenas do filme, Ian, na grande interpretação de Sean Harris, todo de branco no caixão). Depois disso entra, em paralelo a Factory, a história do Hacienda, clube que até sua extinção em 1997 era a meca dos adeptos da chamada música eletrônica.



Antes do DJ assumir seu posto, a Hacienda foi a casa do New Order, que surgiu dos integrantes do Joy Division depois do suicídio de Curtis e do Happy Mondays, que, depois de ficar em último lugar em um concurso de bandas do Hacienda entrou para o ¿casting¿ da Factory.
As apresentações do Happy Mondays são um show à parte. Além do alucinado vocalista Shaun Ryder, que consumia tudo o que ganhava com drogas, drogas e mais drogas, dei muitas risadas com as especialíssimas participações do Bez. Eu já avisei, anos 1980 não é o meu forte, portanto tive que perguntar ao Thiago o que era ¿aquilo¿. Bez, era amigo do Ryder e sempre estaria presente, onde quer que a banda esteja, com sua dança pra lá de exótica e por vezes tocando marácas, ele estava em to-das, inclusive nas gravações, mesmo que só fumando maconha e nada mais. Era uma espécie de talismã do Happy Mondays e considerado pelos próprios membros, o verdadeiro gênio da banda. Só para constar, Bez se tornou uma celebridade na terra da rainha mãe depois de ser o vencedor da edição local do Big Brother.
Não precisa ser fã do Joy Division nem do Happy Mondays pra se encantar com o filme.
Agora, como diria Warren Ellis: Caiam fora daqui!


pirofágica - 10:12 PM