ASSIM ASSADO - meu universo é infinito, não tentem me compreender.

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Por TPoeta
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Segunda-feira, Novembro 28, 2005

Ora, mas é claro que eu fui!

Há meses já havia decidido que presente me daria de aniversário: ir ao último grande festival do ano em São Paulo, o Claro que é Rock. Pra isso tinha esquecido o Tim Festival, mas por sorte ou sei lá o que, me fiz presente nos dois.
O Tim foi muito bom, me diverti bastante e como já escrevi aí por baixo, vi as bandas bem de perto, mas sábado...sério, um dia que entrou pra história.
Pra não acontecer como sempre, nos programamos pra chegar mais cedo. É impressionante como eu e o Thiago parecemos as estrelas dos eventos, sempre atrasados. Não dava pra encarar o Cachorro Grande tão cedo e ter que escutar Good Charlote até começar o show do Nação, então deu tempo de chegar, tomar umas cervas do lado de fora e entrar uns 10 minutos antes do show que, já sabíamos, ia ser curto. Em 40 minutos, Nação Zumbi mostrou o porquê de tantos elogios e reconhecimento fora do país. Começaram com Hoje, Amanhã e Depois, a primeira do Futura, passearam por todos os discos e, como sempre, incendiaram com Da Lama ao Caos. Impecável em 40 minutos. Uma pena que por motivo de atraso na chegada dos equipamentos, o público do Rio não pode ver o show do Nação. Mas tem turnê passando por essas bandas no começo do ano que vem.



Fomos comprar cerveja e constatamos o absurdo do tamanho da fila. Thiago muito esperto jogou uma conversa e encurtou nossa espera pra molhar a goela em mais de meia fila. Enquanto isso assistia pelo telão ao show do Fantômas no palco A. Tava curiosa pra escutar o Fantômas. Por ser a ¿banda do Mike Patton¿, o cara que, depois do fim do Faith no More, se me teu em vários projetos, musicais, cinematográficos e afins. E por ler a mídia desesperada por não conseguir definir o som dos caras. Realmente não é uma tarefa fácil, portanto nada do que eu escrever aqui vai ser também, novidade. Ruídos, vinhetas, gritos e sussurros, programadores e sintetizadores e uma bateria visceral (Dave Lombardo não veio, mas Terry Bozzio, que já tocou com o Zappa deu conta do recado). Com nossas Bavárias na mão (fala sério, além daquela fila indecente ter que tomar Bavária é foda!) voltamos pro palco B pra ver o Flaming Lips. Só um parêntese pra explicar melhor essa história de palco A, palco B: o espaço era o de um campo de futebol. Do lado direito, palco A, do lado esquerdo, palco B, um de frente para o outro.
Saímos de casa pensando que em como seria triste perder o fim de um show para ver outro desde o princípio, ou vice versa, mas isso, felizmente não aconteceu. Lá e cá. Voltando...A única banda que não conhecia mas já estava empolgada só de ver meu namorado feito criança, feliz da vida por viver para ver um show do tal Flaming Lips. E quando começou o show eu entendi o porquê. O palco foi tomado de bichinhos de pelúcia. Depois soube que os felizes e simpáticos animais tinham sido tirados da platéia para compor a estética divertida e psicodélica já conhecida dos americanos de Oklahoma. Entre urso, vaca, hipopótamo, girafa, dois sóis sorridentes e até um E.T., saltitantes, o carismático vocalista, Wayne Coyne, intermediado por um tradutor disse ao público paulistano algo do tipo: Essa noite vai entrar pra história! Na verdade não sei se foi isso, tava encantada olhando para todos os cantos do palco...


Começa o show e o rock n roll psicodélico sai apenas da estética visual e despenca em alto e bom som, enquanto uma bolha se enchia de ar e Wayne dentro dela foi lançado para os braços da galera. Caramba, eu ria...tava muito divertido e mágico aquilo, aquele homem dentro da bolha passeando sobre nossas cabeças. De volta ao palco e fora da bolha, confetes gigantes, fitas e grandes bolas coloridas eram lançados gerando uma sincera e espontânea interação com o público. Outra contribuição neste sentido foi o telão no centro do palco com imagens editadas pelos músicos, também videomakers, o que fez um grande videokê coletivo com todo mundo acompanhando a letra de Bhoemian Rhapsody, do Queen. Algumas músicas eram conhecidas dos presentes. Eu, estava bem feliz de estar ali naquele momento e pra terminar, mais um cover. Em homenagem a George W. Bush, a clássica War Pigs, do Black Sabbath. Sim, entrou pra história.


E recomeça a batalha para tomar uma cervejinha. Mas como o Thiago esta muito esperto esta noite e a demora para ser atendido era tanta, consegui servir-se sozinho de latas de cerveja, então seguimos pra chegar o mais perto possível do palco A, porque o próximo show era o mais esperado da noite. Pra terem uma idéia, os shows anteriores estávamos da metade pra frente, no palco A o nosso máximo foi da metade pra trás. E como sempre, o meu 1 metro e 64 centímetros de altura só me deixam com torcicolo e no fim das contas não vejo quase nada.
Iggy e os Stooges entraram pra um público de 25 mil pessoas sedento pra poder contar um dia para os netos: eu vi um show do Iggy Pop com os Stooges, eu estava lá, em 2005, e foi do caralho!
Na boa, é isso mesmo que vou falar pros meus netos um dia. Com o uniforme de sempre: calça jeans e calça jeans. Iggy loiro se requebrava de um lado para outro do palco incansavelmente e eu me pergunto: como um cara de 58 anos que já injetou tudo quanto é porcaria no corpo, teve uma vida totalmente ¿irregular¿, consegue ter o fôlego que ele tem. Ele só não, os Stooges...caramba, ta todo mundo em forma mesmo. Os anos 1960 fizeram tão bem assim pra eles? O show segue dentro da ¿normalidade¿ até que aos primeiros acordes de No Fun, o galego tem a brilhante idéia de convidar o público a subir no palco. Yeah!!!! Foi demais isso. Até eu conseguir ver né? Primeiro eu só escutava uns barulhos e o Iggy: All Right, all right. O Thiago morrendo de rir com todo seu tamanho e eu pulando tentando ver o que estava acontecendo, mas ele foi muito bom pra mim e me mostrou o mundo dos altos me colocando no colo pra eu ver a festa que tomou conta do palco. Menos para os seguranças, é claro. Durante toda a música os que conseguiram subir, agarravam Iggy, faziam guitarra imaginária na frente do Ron Asheton, pulavam, gritavam e no final da música ainda escutamos um grito de: ¿Viva Iggy Pop¿. Foi lindo aquilo. Iggy ainda pulou no meio da galera, mandou apagar as luzes do palco porque queria ver todo mundo e tocou os hits como 1969, FunHouse (acompanhada de um saxofone estiloso) e I Wanna be your dog. E eu, quero ter netos logo!


De volta ao palco B, os lado B do rock n roll, os chamados ¿alternativos¿, os tios e tia dos indies, aqueles que foram influenciados por quem tocou minutos antes e que influenciou quem fez história nos anos 1990, Nirvana pode ser considerado o mais expressivo exemplo, sobe ao palco o Sonic Youth. Depois do explosivo show do lendário Iggy, o SY fez seu show mais introspectivo e ao mesmo tempo visceral com direito a performance rocker com guitarras esfregadas pelo corpo no chão do palco. O publico estava um pouco frio, talvez cansado, talvez por não conhecer tanto as músicas. O começo do show foi basicamente o repertório do último disco. Muita improvisação e as baladas e os hits dançantes não faltaram. Um bom show, e ahhh, nenhuma novidade mas a Kim Deal é muito charmosa.
Cansados demais, resolvemos tristemente ir embora e perder o show do Nine Inch Nails. Até agora não entendo direito o que se passou na minha cabeça pra ter ido embora. Enquanto saíamos escutamos Wish, mas não dava mais já tinha acabado pra gente. Me arrependo, o Thiago também.
Mas valeu muito. Festa de aniversário pra ninguém botar defeito.





pirofágica - 4:56 PM

Sexta-feira, Novembro 25, 2005

Novas e nem tão novas

Caramba, tanta coisa aconteceu e o amarelinho aqui praticamente abandonado...
A música voltou a ser a bola da vez, muitos shows.
Faz tempo, shows do Wado...delícia pra matar a saudade, ver os meninos, ver a Maíra...
Outro dia vi um puta show do Cidadão Instigado, tenho escutado bastante.
Teve mais Los Hermanos também... um show engraçado em Santo André. Nem pensava em ir, mas foi legal ver o Amarante bebão depois de um puuuta atraso pra começar.
Sábado passado fui ver o Tom Zé na Virada Cultural. Um projeto da prefeitura de 24 horas de eventos em vários pontos da cidade. Foi bom ver o centro bastante movimentado até tarde da noite.
O cinema também não pode ficar de fora, então os mais recentes vistos foram o fantástico, chute no estômago: Cidade Baixa e o lindo e saudoso: Vinícius. Muitos outros na fila: O fim e o Princípio, Cinema, Aspirinas e Urubus, Manderley, Flores Partidas, O signo do Caos...
Teve um aniversário no meio da semana com uma cervejinha com o amor pra não passar em branco, com um presente que me faz falar que a literatura não some jamais da minha vida. É que ganhei um dos livros mais caçados por mim nos sebos das cidades: O Jogo da Amarelinha, o famoso Rayuela do Cortázar que me deixou numa alegria sem tamanho.
E por falar em Cortázar, to fazendo um curso na Casa das Rosas sobre Contos, mais especificamente sobre os contos do Cortázar. É bom ver outra pessoa falando apaixonadamente de um escritor que não é tão presente na grande maioria das conversas em roda sobre literatura (mas sim, sim, isso ta mudando) e que me encanta tanto. Mas confesso que me impaciento um pouco com os participantes do curso...dá vontade de sair correndo e ir ler meus Cortázars em casa sem tanto bla bla bla cabeção. Ta, dou um desconto pra eles porque tpm é foda.
Amanhã tem muita coisa boa, tem o Claro que é Rock. Tem Sonic Youth, Nine Inch Nails e aquele que se não existisse é provável que não existisse as anteriores, Iggy Pop. Tem também Nação, outro disco que não paro de escutar, o Futura.
Depois conto como foi, tá?


pirofágica - 3:02 PM