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Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005
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mudando de assunto
a maior alegria dos últimos tempos.
uma das pessoas que eu mais amo na vida, minha querida irmã de coração tá aqui em sp.
na verdade são duas das pessoas que eu mais amo na vida, já que naquele barrigão de 7 meses tá curtindo até a hora certa de vir pros nossos braços, meu sobrinho querido.
nem acreditei quando a Nandinha me ligou sábado falando que tava aqui.
nem me liguei muito quando escutei falar da bienal da une aqui.
tenho os dois pés atrás com as paradas da une, mas na bienal sempre rolam umas coisas legais, gente bonita, muita arte rolando, diferente dos congressos.
e a nanda veio com a ong do circo, pra dar oficina com a gurizada e se apresentar tbm com eles.
no sábado ela ainda tava meio cansada da correria da viagem e eu tinha que fazer um fogo numa festa, então ficamos de nos encontrar no domingo.
quando entro no pátio das oficinas da bienal...aquele monte de gente louca tocando, dançando, comerciando, comendo, andando...
daqui a pouco vem aquela buchuda correndo (correndo, a nandinha não tem jeito) na minha direção.
duas bobocas com os olhos cheios d'água. emocionadas por se encontrar. cheias de saudade.
fui a primeira pessoa, fora o pai, a saber da gravides da nanda, já estava aqui em sp. nos falamos por telefone.
com os meses passando sempre me batia uma tristeza de saber que minha grande amiga tava passando por essa mudança louca na vida, no corpo, na mente...e eu não tava perto pra ver. queria tanto ver a barriga crescer.
e agora ela tá aqui e nós vamos fazer várias coisas legais juntas.
daqui a pouco vamos nos encontrar, vamos curtir coisas da bienal, vamos ver a exposição sobre a vida do nosso querido Chico Buarque, vamos ver o show da Nação Zumbi, vamos passear e conversar bastante pra matar a saudade.
vocês precisam ver, todo mundo olha pra ela. chama a maior atenção, uma gravida linda.
sinto falta de muitas pessoas queridas e elas sabem quem são. felizmente sou uma pessoa de grandes e bons amigos.
mas apenas duas pessoas nessa vida podem saber da intensidade desse encontro: Carlinha e Verinha.
pirofágica - 11:44 AM
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Sábado, Fevereiro 26, 2005
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essa parada da ressaca foi ontem. putz, dormi das 5h30 às 7h30 e fui pro trampo, destruida, estragada...
fui no show do Dr. Funk. eu e a querida Amanda.
ontem teve show do Wado também, mas fui à vários shows do Wado aqui e tinha um tempão que eu não via esse povo de Maceió. estariam todos lá.
sair na noite pra trampar no outro dia é foda, mas se não fizer isso eu perco muita coisa. a cidade não para, de segunda à segunda tem coisa legal pra fazer.
chamei a amanda que tá solta na buraqueira e não perde mais nenhuma balada da face da terra e ela topou na hora.
é sempre bom sair com a amanda. a gente se diverte mesmo.
outro dia, semana passada eu acho (!) queria sair, sabadão e ninguém queria ir comigo, mas é claro que a super amanda aceitou.
descobri uma festa num restaurante no Copan.
festa bem louca. mas voltando...
sai de casa mais cedo. a idéia era tomar uma cerva antes de chegar no show. uma coisa legal é que em muitos lugares a moda do "mulhere não paga" pegou mesmo. e quem sou eu pra achar ruim?
depois que consegui falar com amanda saí do metrô consolação procurando um boteco pra gente se encontar.
achei um perto do masp, sentei, liguei pra minha amiga e esperei ela chegar tomando uma geladinha.
amanda chegou e a gente (como sempre) conversou feito umas tagarelas. vocês que me conhecem sabem que eu falo pra caralho. amanda não fica muito atrás.
de lá demos um rolê de carro e fomos pro bar "Único Bar".
fomos recebidas de uma forma um tanto surreal na porta. uma "forçação" de barra pra gente sentar e um atendimento misto de extrema gentileza (os garçons não podiam ver a gente com um cigarro na mão que vinham com um isqueiro na nossa direção) e grosseria, como quando passavam por nosco esbarrando e cutucando, coisa que eu odeio. pode falar, mas não cutuca.
opa, depois termino a história.
pirofágica - 3:19 PM
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Sexta-feira, Fevereiro 25, 2005
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ressaca da porra!!!!
pirofágica - 4:45 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005
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dizem que existe, eu não conheço outro.
sem querer... quer dizer, nada é por acaso, bateu um stalo e fui consultar o oráculo pra saber notícias dele.
aí descubro isso.
quando eu tiver tempo pra pensar escrevo sobre.
agora estou em estado de choque.
dá licença.
pirofágica - 1:13 PM
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Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005
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acima de tudo: proteja-se.
e ontem fui com minha prima Tati ver "Menina de Ouro" de Clint Eastwood.
meu, quem puder, não deixe de ver.
o filme é belíssimo em sua simplicidade. simples, não simplista.
cinemão clássico, nada de grande produção nem firulas experimentais.
esqueça Rocky Balboa. o boxe é pano de fundo e ao mesmo tempo uma metáfora para as lutas e conflitos internos dos personagens.
a obscuridade na tragetória de vida das personagens é utilizada com forte presença também na fotografia do filme. as nuances de sombra e luz são constantes. difícil não lembrar do ótimo "Sobre Meninos e Lobos", também de Eastwood.
é foda encontar simplicidade sem clichês no cinema de hoje. ninguém narra objetivamente e com bom gosto nesses tempos e com "Menina de Ouro" o diretor alcança mais uma vez esse mérito.
diferente da maioria dos filmes que abordam a temática do esporte, neste roteiro não há a manjada seqüência: treino - vitórias - grandes derrotas - grande vitória - glória. mas, apesar das muitas vitórias no ring, os ganchos de esquerda da vida acabam nocauteando os personagens da trama.
Morgam Freeman, como sempre, maravilhoso. ex-boxeador com uma triste história que resultou na perda de um olho, é amigo de Dunn, o treinador interpretado por Eastwood e cuida da academia de boxe. é ele quem narra a a história, quem nos apresenta as vidas de Dunn e da garçonete que quer ser treinada por Dunn e se tornar boxeadora profissional.
confesso que chorei feito uma boboca e sai do cinema nocauteada.
entri no metrô com uma puta vontade de chorar e me sentindo muito,mas muito sozinha. de repente bateu uma tristeza e quase não consigo segurar o choro até chegar em casa.
pensei em muitas coisas e continuo querendo ter a minha chance.
cheguei em casa e joguei o I Ching. me animei um pouco. o I Ching é sábio e o que é meu tá guardado.
pirofágica - 12:26 PM
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como sempre, às sextas passo na banca do seu Antônio e compro a Folha. sexta é o dia do Guia. como não dá pra comprar o jornal sempre. me apego ao fraco MetroNews, de didtribuição gratuita nas estações do Metrô. apesar do texto e conteúdo ideológico, é uma formade saber o que é notícia na grande mídia. voltando ao assunto. com o Guia da Folha em mãos vou sublinhando com uma caneta os programas que interessam, principalmente os "de grátis".
segunda passada vi um puuuuta show do Bocato e sua puuuta banda. sozinha (pra variar), muitas vezes quis alguém do meu lado só pra comentar alguma coisa, tipo: "caralho, olha que batera animal" ou "putz, que figura esse cara da cuíca" ou "porra, olha só que coisa mais linda essa melodia!", enfim, me chacoalhei sozinha na cadeira nos sons mais suingados, misto de samba e jazz, me arrepiei, sozinha, com a melodia sofisticada de uma determinada música que nemsei o nome, bossa blues... .
fui pra casa bem. e sozinha.
ahhh, a presentação foi para a gravação do Instrumental Sesc Brasil. quem tiver a rede Sesc de TV assista.
pirofágica - 10:58 AM
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Terça-feira, Fevereiro 15, 2005
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enquanto dormíamos a população do camping cresceu e duarante o feriado foi crescendo consideravelmente. acordamos por volta das 11h e fomos pra padaria tomar café. tomar café na padaria é o que há para quem tem pouca grana e quer economizar (isso sim é um "viaje bem e barato", hehe) pão na chapa 0,60, café com leite 1 pila, pra dar uma variada pão de queijo 0,20 (sim, estamos em Minas) e um pingado 0,40. e ir atrás de uma trilha próxima.
aprendi nas minhas andadas que se você vai ficar pouco tempo no lugar deve fazer as trilhas mais curtas. se desgastar menos e se tiver intenção de voltar, aí sim, fazer as trilhas mais longas.
a besta aqui esqueceu o mapa com as anotações feitas pelo maurício, um cara do trampo que já foi pra ST várias vezes. perguntamos sobre a cachoeira mais próxima e seguimos para o Vale das Borboletas. o ruim dessa trilha é que anda-se muito em pleno asfalto, e isso cansa muito mais. depois de aproximadamente 1h30 de caminhada no asfalto (o que equivale ao cansaço de umas 3hs) chegamos numa trilha de terra. até então era uma puta descida, tristeza quando lembrava que uma hora ela ia virar subida.
paramos no bar da cidinha e fizemos degustação de vinho de jaboticaba - uma delícia e uma cachaça de figo.
o Vale das Borboletas é lindo. a queda é alta e as corredeiras deliciosas. dia estava lindo e quando sentamos pra descansar em uma corredeira comecei a apreciar a beleza das borboletas. estavam por ali, embelezando com suas variedades de cores e fazendo jus ao nome do lugar.
muita gente na cachoeira, estranhei.
de volta passamos na Cidinha pra comer um pastel e se preparar para a super subida.
macaca velha em pedir carona meti o dedão na estrada, mas os poucos carros que passaram nem tchuiú. também, estávamos em 5. só uma pickup, caminhonete ou coisa parecida.
de repente começa cair uma puta chuva. os pingos pareciam pedra na nossa cara.
a subida se tornou bem mais difícil e a Tânia e o Silvio então, a gente perdia eles de vista, eita casalzinho lerdo pra andar viu!?
finalmente chegamos ao camping ensopados. quando entri na barraca...nossa!!! era uma piscina aquilo. a sorte é que ela estava em uma descida e só molhou um canto que não tinha nada. a barraca da tati e do Douglas molhu ainda mais. sequei tudo apertei os grampos no chão e torci pra são pedro dar uma trégua. enquanto isso eu botava fogo na babilônia, sempre sozinha....eita saudade desse povo que gosta do Nelson....
de noite faz um puta frio que na boa, não dá nem muito tesão de sair pelas ruas, um vento gelado e no pico da galera, a pirâmide, que é um pico mesmo, pela altura, se torna de um frio fudido para minhas duas blusas fininhas.
na primeira noite fomos dormir cedo também, pelo cansaço e tudo mais.
no domingo conhecemos a Eubióse e a Cachoeira do Flávio. andamos pra caralho seguidos por David, nosso guia cão e melhor amigo do Douglas. maior comédia, Douglas e David, a dupla dinâmica.
São Thomé é uma cidade muito bonita, construida numa imensa pedra. tudo é de pedra e o homem tem transformado a cidade numa imensa pedreira, mas já está muito pop. como não fica tão distante dos grandes centros - apenas 5h de são paulo e pouco mais que isso de bh, o número de turistas é bastante grande. muita gente, muitos carros.
bem diferente da Chapada (Diamantina). a Chapada é mais raíz. todo mundo faz trilha a pé, a circulação de pessoas nas cachoeiras é bem mais tranquila. a interação entre as pssoas ocorre de uma forma mais forte e mais espontânea. tá, a Chapada é a Cahapada e ST é ST, beleza.
o comércio também é bastante movimentado por lá, coisas bonitas e o preço até que não é tão caro.
depois da andada de dia, aliviada pela carona na volta da trilha, o que nos economizou umas 3h30 de subida. tiramos um cochilo pra sair de noite.
cara, a galera definitivamente não tem meu pique.
eu levei meus bastões pra fazer um fogo, mas o frio era tanto de noite que não tive coragem.
resolvi tomar cachaça mineira pra esquentar. que cachaça deliciosa, nossa!
fomos pra porta do show do Ventania. até agora não sei se o Ventania é o cara ou a banda. acho que é o cara mesmo.
o cartaz diz: show com Ventania (banda hippie). imaginem.
mas beleza, como não tem exatamente um lugar onde a galera fique e curta um som. foi todo mundo pro show do Ventania.
a Tati e o Douglas foram cedo pro camping, Tania e Silvio não quiseram gastar grana e eu não ia dormir, nem entrar sem um descontinho básico.
paguei precinho de estudante e entrei sozinha no show do Ventania.
com tanto som de hippie doidão falando de fumaça, fui fazer a minha parte. dessa forma agreguei pessoas e fiz amizade com o Marcelo que é a cara do nosso amigo Marcelão, só que loiro. imaginem, um marcelão, do tamanho do marcelão e tudo só que loiro? a amiga dele era meio birutinha. falava e falava e com aqueles papos cults chatos pra caralho sobre artes plásticas misturado com fauna e flora que já estavam me enchendo, mas sabe como eu sou, não consigo dar um fora logo de cara, mas me diverti esta noite.
a última noite tbm foi foda. de novo fiquei sozinha. na pirâmide, no 2, um bar lá no alto. frio da porra. já tinha tomado umas 5 doses de cachaça no bambuzinho e arrumei um cantinho quente pra ficar. tava uma falta de bob na cidade que, como diria a sisse, eu era a "barona" da massa.
tava tão louco que fiquei preocupada de como iria descer aquilo tudo sozinha...provavelmente rolando nauqelas ladeiras de pedra.
não sei como, mas cheguei na barraca, sã e salva lá pelas 4h30 5h da matina.
amanheci com a garganta fudida, queimando de febre. passei a terça de carnaval toda com 39° na rodoviária de Três Corações deitada na grama me aquecendo no sol, esperando o ônibus pra voltar pra casa de metrozão.
que vida é essa.
e chega, não aguento mais escrever escondido aqui no trampo, hehehe!
pirofágica - 2:44 PM
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Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005
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pois é, finalmente conheci as Minas Gerais. depois de tantas passagens por este imenso país dei uma paradinha nessa terra de gente tranquila e sotaque (e tempero) gostoso.
essa coisa de ir pra São Thomé surgiu bem por acaso. estávamos conversando, os tranqueiras da família e eu propus um acampamento no carnaval. queria ir para o litoral norte, para uma praia de verdade, São Paulo tem praias muito bonitas no litoral norte e no extremo sul. sinceramente, baixada...aquilo não é praia. imediatamente pensamos em Ubatuba. as praias são lindas e ainda existem umas bem tranquilas, sem camisas floridas e meias brancas. com meu guia "Viage Bem e Barato" - na boa, quem faz esse guia definitivamente não sabe o que é viajar bem e barato - surgiu a idéia de São Thomé. todo mundo conhece alguém que já foi pra São Thomé e disse que lá era "bem louco".
nenhum de nós conhecia o lugar
e eu e a norma eramos as únicas com experiência em acampamentos, mas como todo mundo se animou, só nos restava conseguir as barracas e seguir rumo ao desconhecido...ohhhh!
São Thomé tem a fama. lugar dos malucos, neo hippies, lindas cachoeiras, cidade de pedra.
arrumei alguns contatos, marquei alguns lugares no mapa, arrumamos as barracas, a norma não pode ir e lá vai eu, pra variar, entre casais.
minha prima Tati e o marido Douglas, Tânia e Silvio e eu, aberta à novas experiências extra-sensoriais em São Thomé, quem sabe até uma abdução? enfim, tudo poderia acontecer. matei dois dias do trampo antes que ele me matasse e na sexta-feira, por volta das 0h seguimos pras Gerais com volta prevista para a terça-feira de carnaval.
5h da matina ainda tá tudo escuro e...um...puta...frio do caralho.
as coordenadas da norma dizia para procurarmos o camping do noel, mas chegando na rodoviária descobrimos que o tal camping ficava praticamente no pólo-norte, onde o noel vive. longe pra caralho, na roça, como dizem por lá. então resolvemos conhecer o camping do seu Lázaro e dn Elena, que nos abordaram na rodoviária. pra quem esperava ter que chorar por um precinho mais em conta no noel, os 5 contos de diária propostos por dn Elena agradou bastante, mas batou uma desconfiança mineira diante da proposta. ficamos de conhecer o lugar, montar a barraca, pagar uma diária e depois decidir o que fazer.
puta gracinha o camping e muito gracinha também a simpatia do seu Lázaro conosco. aquele sorriso mineiro de canto de boca sempre disposto a ajudar no que fosse preciso.
eu como já armei muita barraca na vida (ops!), desenrolei a do primeiro casal, a do segundo casal e a minha...um tanto antiga na estrutura de montagem, deu um pouco mais de trampo, mas seu Lázaro estava lá com toda sua experiência de dono de camping para nos ajudar.
barraca montada, a única coisa que eu queria era falar com Jah nosso senhor rastafari para dormir em paz.
continua...
pirofágica - 11:47 AM
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